segunda-feira, 14 de março de 2011

Nunca subestime a importância de um bibliotecário

Dia 12 de março é dia do Bibliotecário

Dia 12 de março é dia do Bibliotecário

Dia 12 de março é celebrado no Brasil o Dia do Bibliotecário, que é o profissional que exerce a arte de organizar e dirigir bibliotecas, sendo a ponte entre o conhecimento e quem o procura.[...]

O Bibliotecário é o guia que permite que um universo de pessoas encontre diariamente o caminho pelo imenso universo bibliográfico brasileiro presente nas bibliotecas públicas, populares, comunitárias, escolares, universitárias, infantis, institucionais...

A Biblioteconomia teve ilustres representantes ao longo do tempo como o estadista e inventor norte-americano Benjamin Franklin (1706-1790); o filósofo e teólogo alemão Immanuel Kant (1724-1884); os Papas Nicolau V (1388-1455) e Pio XI (1857-1939), o romancista, historiador e jornalista português Alexandre Herculano (1810-1877); a estadista israelense Golda Meir (1898-1978).

No Brasil, prestamos homenagem ao poeta e engenheiro Manuel Bastos Tigre, que deixou de exercer engenharia para dedicar sua vida, durante 40 anos, aos livros e à Biblioteconomia. Manuel nasceu no dia 12 de março de 1882 e é considerado o primeiro Bibliotecário concursado brasileiro.

Uma das primeiras referências à história da biblioteca nos tribunais brasileiros data de 1890, quando marechal Deodoro da Fonseca regulamentou a Organização da Justiça Federal, que motivou a implantação da Biblioteca da Corte de Apelação do antigo Distrito Federal.

[...]

Precisamos ter consciência de que a Biblioteconomia é um trabalho multiplicador e estratégico, sendo responsável diretamente pela formação da sociedade. Afinal, num país onde o livro ainda é artigo de luxo, o Bibliotecário assume o papel de agente cultural e de transformação social.


quarta-feira, 9 de março de 2011

Biblioterapia: a cura pela leitura


Um relacionamento que termina é sempre um motivo de tristeza ou de pausa para repensar a vida. Para superar a fase difícil, que tal um bom livro? “Flashman”, de George MacDonald Fraser, sobre um soldado britânico pouco recomendável, condecorado por heroísmo, pode distraí-lo de sua autopiedade. “Do Amor”, de Stendhal, pode auxiliá-lo a lidar com a melancolia, e “As Consolações da Filosofia”, de Alain de Botton, pode servir mesmo de consolo. Acabou de perder o emprego? Dureza, mas não se desespere! Uma boa pedida é rir com o conto “Bartleby”, de Herman Melville, sobre um empregado que recebe a solicitação para fazer uma coisa e diz preferir não fazer, mas estranhamente continua dia e noite no escritório. Já quem sofre pelo luto pode encontrar suporte em “Uma Comovente Obra de Espantoso Talento”, de Dave Eggers, baseado na história do próprio autor, que perdeu os pais jovem e precisou cuidar do irmão, ou “Metamorfoses”, de Ovídio, que descreve as transformações de todas as coisas, da vida à morte.

Essas são indicações genéricas de Ella Berthoud, da School of Life de Londres, fundada em 2008. Na prática, as “receitas” são individualizadas. O interessado pode marcar uma consulta pessoalmente, por telefone ou Skype. Depois de responder a um questionário sobre suas preferências literárias e conversar com a especialista, recebe uma lista de livros mais adequados às suas aflições. Usar literatura para ajudar a superar alguma dificuldade ou dor tem nome: biblioterapia. Desde a Antiguidade há relatos de prescrição de livros para enfrentar problemas cotidianos, mas só no século passado a prática ganhou esse

nome e os primeiros estudos sobre seus benefícios, principalmente para doentes e presidiários.

No Brasil, ela começa a ser difundida, com trabalhos principalmente em hospitais, ainda que não haja grupos fixos até o momento.

A biblioterapia pode ser um ramo tanto da biblioteconomia quanto da psicologia. A bibliotecária Clarice Fortkamp Caldin, autora de “Biblioterapia: um Cuidado com o Ser”, prefere fazer a distinção. “Biblioterapeuta é o psicanalista que se vale da leitura como uma das terapias, pois desenvolve a biblioterapia clínica com o intuito de cuidar das patologias psíquicas”,

diz. “O bibliotecário, a seu turno, desenvolve a biblioterapia de desenvolvimento, quer dizer, cuida do ser na sua totalidade, sem fazer julgamento do que é ou não normal. Costumo chamá-lo de ‘aplicador da biblioterapia’. Não é um título tão charmoso quanto o primeiro, mas me parece mais justo.”

Clarice começou a se interessar pelo assunto quando percebeu que o bibliotecário estava muito preso às funções técnicas, esquecendo-se do lado humanista da profissão. Em 2001, defendeu dissertação sobre a leitura como função pedagógica, social e terapêutica. Depois, elaborou um curso de 80 horas na Universidade Federal

de Santa Catarina. Na sua opinião, a eficácia vem da falta de cobranças. “O aplicador de biblioterapia não prescreve uma norma de conduta nem um remédio a ser tomado em horários determinados. Dela participa quem quiser, quem tiver vontade de escutar uma história”, afirma. “Essa história agirá no ouvinte do jeito que ele achar melhor ou mais conveniente naquele instante de sua vida. Será digerida lentamente, ficará na sua mente ou no seu subconsciente por tempo indeterminado e poderá ser retomada a qualquer momento.” E, como é grátis, não precisa ser interrompida se o dinheiro estiver curto.

Em sua experiência de quatro meses na ala pediátrica de um hospital em Santa Catarina, na qual se executou a biblioterapia por meio de leitura, contação, dramatização de histórias e brincadeiras, as crianças, segundo ela, esqueceram-se de que estavam em um hospital. Os familiares também se beneficiaram com o alívio do estresse. Num presídio feminino, as sessões de contos e poesias ajudaram as participantes a superar a sensação de impotência e a saudade dos maridos e filhos. Elas saíram do estado de prostração e chegaram até a escrever um jornalzinho interno.

Normalmente, a biblioterapia se dá em grupo. O aplicador seleciona o texto, faz a leitura, narração ou dramatização de uma história e aposta no envolvimento do público. Cuida, ainda, de permitir a liberdade de interpretação, propiciar o diálogo, a catarse, a identificação, a introspecção. “É bom frisar que para esse mister se presta a literatura, quer dizer, a ficção. Textos informativos ou didáticos não são considerados biblioterapêuticos, porque não produzem a explosão e apaziguamento das emoções [catarse], não permitem a identificação com as personagens [experiência vicária], nem induzem à introspecção [reflexão sobre como nosso comportamento afeta o outro].”

Os livros infantis são os geralmente utilizados por Lucélia Paiva, doutora em psicologia escolar e do desenvolvimento pela Universidade de São Paulo e autora da tese “A Arte de Falar da Morte: a Literatura Infantil como Recurso para Abordar a Morte com Crianças e Educadores”. Ela conta que descobriu o valor da biblioterapia intuitivamente. “Sentia que era mais fácil falar sobre certos temas com metáforas, de forma mais suave”, diz ela, que desenvolve trabalho voltado para pessoas em situações de crise e emergência, perdas e luto.

Lucélia começou a usar livros infantis para tratar de assuntos como a morte com seus sobrinhos. Mais tarde, conheceu o termo biblioterapia. Hoje, utiliza o mesmo gênero para adultos e crianças, em sessões em grupo ou individuais. “A Menina e o Pássaro Encantado”, de Rubem Alves, sobre uma garota que aprisiona uma ave numa gaiola por amá-la muito, serve para tratar de relações familiares ou conjugais e de luto. Já “Dona Saudade”, de Claudia Pessoa, ajuda a lidar com o luto e a saudade. “A Aids e Alguns Fantasmas no Diário de Rodrigo”, de Jonas Ribeiro e André Neves, auxilia na superação do estigma da doença.

As histórias, segundo ela, sempre precisam ter começo, meio e fim. “Não precisa ser final feliz, desde que exista uma solução. É ela que minimiza o sofrimento.” É preciso buscar o envolvimento do ouvinte, seja pela identificação com personagem ou história. “Se fizer eco, se fizer sentido, ele vai começar a ter um envolvimento emocional. A partir dessa catarse, pode identificar-se. E o desfecho daquele conflito do livro pode trazer para ele a possibilidade de desfecho de seus conflitos.” Ela afirma ter tido certeza de que dava certo quando soube que uma mãe enlutada tinha lido “Dona Saudade”, presenteada por uma amiga em comum, e espalhado o livro pelas outras pessoas afetadas pela perda de seu filho. Em outro caso, conseguiu, em sessão de psicoterapia, acessar até um trauma maior, fazendo uma senhora

falar sobre o abuso sexual sofrido na infância.

Já os especialistas no ramo da biblioteconomia, ou aplicadores de biblioterapia, como descreve Clarice Fortkamp Caldin, deixam claro que a biblioterapia não é científica e não exclui os cuidados médicos. “Como arte, ela é criativa. Assim, o sujeito dela se vale para mitigar pequenos problemas pessoais. Cada um do seu jeito, usando a imaginação e de acordo com suas emoções”, diz ela. Para pessoas com problemas psicológicos sérios, pode ser auxiliar, sem ter a capacidade de cura. Mas dá seus resultados para quem embarca na viagem.

“Sabemos que o poder da boa literatura é profundo e transformador. Temos um feedback positivo de nossos clientes, que frequentemente voltam para mais sessões. Mas nós não nos advogamos como médicos. Somos doutores de livros!”, ressalta Ella Berthoud, da School of Life, que faz apenas atendimento individual. Para ela, funciona porque “você entra na cabeça de outra pessoa e vive outra vida por meio dos personagens do romance”. Essa experiência permite que se entenda melhor seus dilemas, se o livro for bem escolhido. “Você vê um personagem cometendo um erro e pode evitar fazer o mesmo. Outras vezes você vê os personagens superando as

dificuldades, e isso dá a você, leitor, a resolução de resolver enfrentar a própria situação.” Fortalecido pela boa literatura ou por uma contação de histórias eficiente, ele tem a chance de estar mais apto a superar as dificuldades e os momentos de desânimo e de tristeza. Como se diz por aí, ler realmente faz bem, para a mente e para a alma.

"La Lecture", de Picasso: "Sabemos que o poder da boa literatura é profundo e transformador, mas não nos advogamos como médicos. Somos doutores de livros!", ressalta a britânica Ella Berthoud

Fonte: Valor Econômico, caderno Eu & Fim de Semana, 25 a 27 de fevereiro de 2011, p. 24-25.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A Day Made of Glass

A Corning, empresa especializada em desenvolvimento de produtos em vidro e cerâmica, surpreendeu o público com um vídeo chamado A Day Made of Glass ("Um dia Feito de Vidro", em inglês). O vídeo mostra uma família do futuro interagindo com objetos e aparelhos da casa, todos feitos em touchscreen, com inovações hightech.

O recado da Corning, que já produz material para aparelhos eletrônicos, parece ser que, em um futuro próximo, a nossa vida será marcada por TVs, espelhos, portas, mesas, carros com telas em touchscreen. Basta tocar na tela da TV e é possível ver como está o trânsito; tocar no espelho do banheiro enquanto escova os dentes e lê os e-mails recebidos; tocar em um painel da rodoviária e escolher o destino; e colocar o celular sobre a mesa e alternar a mídia de transmissão etc.

A Corning é reconhecida no mercado pela qualidade e funcionalidade de seus produtos, como o resistente Gorilla Glass, que compõe a tela de celulares resistentes a quedas. Dessa vez as novidades propostas no A Day Made of Glass são de deixar qualquer geek boquiaberto e com muita expectativa do que deve vir por aí.

Assista ao vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=6Cf7IL_eZ38

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Político ANTES e DEPOIS da posse

Aproveitando a época da posse dos nossos excelentíssimos parlamentares, segue uma singela homenagem.

POLÍTICOS ANTES DA POSSE

Nosso partido cumpre o que promete.
Só os tolos podem crer que
não lutaremos contra a corrupção.
Porque, se há algo certo para nós, é que
a honestidade e a transparência são fundamentais.
para alcançar nossos ideais
Mostraremos que é grande estupidez crer que
as máfias continuarão no governo, como sempre.
Asseguramos sem dúvida que
a justiça social será o alvo de nossa ação.
Apesar disso, há idiotas que imaginam que
se possa governar com as manhas da velha política.
Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que
se termine com os marajás e as negociatas.
Não permitiremos de nenhum modo que
nossas crianças morram de fome.
Cumpriremos nossos propósitos mesmo que
os recursos econômicos do país se esgotem.
Exerceremos o poder até que
Compreendam que
Somos a nova política.

DEPOIS DA POSSE:

Basta ler o texto acima, DE BAIXO PARA CIMA

(Autor desconhecido)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

30 dicas para escrever bem




1. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.
2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.
3. Anule aliterações altamente abusivas.
4. não esqueça as maiúsculas no inicio das frases.
5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.
6. O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
8. Evite o emprego de gíria. Ninguém merece isso, mesmo que pareça maneiro, valeu?
9. Nunca use palavras de baixo calão, @!#$%! Elas podem transformar o seu texto numa merda.
10. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.
11. Evite repetir a mesma palavra pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.
12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: “Quem cita os outros não tem idéias próprias”.
13. Frases incompletas podem causar
14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma idéia várias vezes.
15. Seja mais ou menos específico.
16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!
17. A voz passiva deve ser evitada.
18. Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação
19. Quem precisa de perguntas retóricas?
20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.
21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.
22. Evite mesóclises. Repita comigo: “mesóclises: evitá-las-ei!”
23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
24. Não abuse das exclamações! Nunca! O seu texto fica horrível!
25. Evite frases exageradamente longas pois estas dificultam a compreensão da idéia nelas contida e, por conterem mais que uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.
26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúa portuguêza.
27. Seja incisivo e coerente, ou não.
28. Não fique escrevendo no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambigüidade - e esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo.
29. Outra barbaridade que tu deves evitar é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras, bah!
30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá agüentar, já que é insuportável o mesmo final escutar o tempo todo sem parar.

Toda a verdade é relativa… menos esta!

Imagine a seguinte situação. Você é uma pessoa saudável, mas durante os últimos meses começa a sentir uma dor aguda no estômago. Vai ao médico, faz os exames necessários e uma semana depois retorna ao doutor para que ele examine os resultados dos exames. Ao puxar os papéis do envelope e ler o conteúdo, o médico muda de expressão. Você já não está tão calmo como estava antes e começa a imaginar as diferentes frases que podem sair da boca dele. Mas, em vez do tradicional “Você está com câncer e tem alguns meses de vida apenas”, o médico respira fundo e lhe diz:

“Olha, senhor, o laboratório diz aqui que você tem câncer no estômago, mas a realidade é que a verdade é o senhor que escolhe. Isso pode ser verdade para eles, porém, não precisa ser verdade para você! O senhor é quem escolhe o seu caminho.”

O que você acharia disso? Pode parecer uma história absurda, mas é mais ou menos isso o que acontece na área da religião e da filosofia. Você já ouviu a frase: “Isso pode ser verdade para você, mas não para mim”?

Primeiro, vamos às definições técnicas. A verdade, segundo alguns, pode ser relativa ou absoluta. A definição da verdade relativa é que a verdade é verdade uma única vez e em um único lugar. É verdade para algumas pessoas e não para outras. É verdade hoje, mas pode não ter sido verdade no passado e pode não ser novamente no futuro – sempre está sujeita a mudança. Ela também está sujeita à perspectiva das pessoas.

A definição de verdade absoluta é: tudo quanto é verdade uma vez e em um lugar é verdade todo o tempo e em todos os lugares. O que é verdade para uma pessoa é verdade para todas as pessoas. Verdade é verdade se nós acreditamos nela ou não. A verdade é descoberta ou revelada, não é inventada por uma cultura ou por homens religiosos.

O filósofo grego Protágoras disse que o “homem é a medida de todas as coisas”. Isso significa que cada pessoa pode decidir o próprio padrão para o certo e o errado. O que é moralmente certo para mim, pode estar errado para outro. Essa é a essência de relativismo.

O renomado biólogo Edward Wilson, em Consilience: the Unity of Knowledge, escreve: “Pensadores do iluminismo creem que podemos saber tudo, e pós-modernos radicais creem que não podemos saber nada.” O que ele quis dizer com isso? Tivemos dois extremos na história do saber. Um deles, como vimos no estudo anterior, afirma que por meio da ciência podemos saber todas as coisas. Esse pensamento pertence ao mundo do Iluminismo do século 18. Porém, a sabedoria com o passar dos anos se estendeu a outro extremo e o pós-modernismo em que vivemos hoje tenta nos convencer de que não existe uma verdade, mas várias.

Agora, o que nos interessa é saber como sabemos que a verdade é relativa ou absoluta. Como posso ter certeza de que minha vida, meus atos, minha crença devem ser ditados por uma única verdade que governa o mundo inteiro?

Vamos à primeira evidência: existem absolutos. Com certeza, você crê nisso. Quer provas? Você consegue acreditar que alguém pode andar e permanecer parado ao mesmo tempo? Ou que alguém está dormindo enquanto está acordado? É possível que um cavalo seja inteiramente branco enquanto inteiramente preto? Você consegue viver no passado e no futuro ao mesmo tempo? Você definitivamente não poderia dizer, diante de um acidente de automóveis, que talvez o acidente tenha acontecido e talvez não tenha acontecido; que depende do ponto de vista de quem viu acontecer.

A primeira conclusão, portanto, é de que, quando lidamos com a realidade, tem de existir uma verdade absoluta, senão não é realidade!

Segunda evidência: a lei da não contradição. O princípio da não contradição foi formulado por Aristóteles em seus estudos sobre a lógica, e diz que uma proposição verdadeira não pode ser falsa e uma proposição falsa não pode ser verdadeira. Nenhuma proposição, portanto, pode ser os dois ao mesmo tempo. Uma afirmação não pode ser contraditória para ser verdadeira. Por exemplo, você não pode dizer que um animal é um cachorro e dizer também que não é um cachorro.

Se analisarmos cuidadosamente, a própria afirmação do relativismo é contraditória. Veja só: “Toda a verdade é relativa.” Isso é como uma declaração do tipo: eu tenho absolutamente certeza de que tudo é relativo. Na própria declaração, o relativismo já se contradiz. Porém, se você analisar a afirmação da verdade absoluta, isso muda: toda verdade é absoluta. Essa afirmação também é absoluta, portanto, sem problemas!

Rafael Lanzetti, em seu artigo “Relativismo e Crítica Literária”, faz um comentário muito interessante a respeito de Protágoras, o filósofo que criou a teoria relativista: “Ora, Protágoras, ao criar tal teoria, criou juntamente com ela sua primeira contradição: se o trabalho de Protágoras enquanto filósofo sofista era o de ensinar aos outros como convencer os demais de que o que diziam era verdade, como poderia afirmar ele que tudo em que o homem acredita é verdade para este? Ao perceber sua contradição, Protágoras foi obrigado a adaptar sua teoria, qualificando sua doutrina: enquanto tudo em que alguém acredita é verdade, algumas coisas em que algumas pessoas acreditam são melhores que outras coisas em que outros acreditam.”

Platão disse, porém, que tal qualificação revela a inconsistência de toda a sua doutrina. Seu argumento básico se chama “A virada de mesas” (“Peritroph”): “Se à maneira como as coisas parecem para mim, assim elas existem para mim, e se à maneira como as coisas parecem para ti, assim elas existem para ti, então parece a mim que toda a tua doutrina é falsa. Uma vez que à maneira com que as coisas parecem para mim é verdade, então deve ser verdade que Protágoras estava errado.” Uma vez que Protágoras afirmou não existir falsidade, ele não pode dizer que o argumento de Platão seja falso, portanto a teoria de Protágoras é relativa.

Se até mesmo o inventor da teoria tão divulgada hoje teve problemas com ela, o que isso diz a respeito de sua confiabilidade?

Segunda conclusão: a teoria do relativismo não passa no teste da Lei da Não Contradição e seu próprio autor se contradisse.

Terceira evidência: a verdade relativa não é benéfica no sentido moral da sociedade. Se o ser humano é a medida de todas as coisas, ele também pode ser a medida do que dita a lei. Como defesa das verdades absolutas, o estudioso católico Leslie Walker debate o Relativismo usando seu próprio paradoxo: “Se dissemos que não existe no mundo certo ou errado, melhor ou pior, mas apenas formas de vida diversificadas, não podemos dizer que alguém está errado por seguir suas verdades particulares, certo?”, pergunta ele. “Certo”, ele mesmo responde. “Se isso é verdade, não podemos dizer que Hitler e Stalin estavam errados em matar milhões de pessoas e trazer sofrimento e dor, de uma forma ou de outra, a todo o mundo, certo? ‘Certo.’ Consequentemente, não podemos dizer que estávamos errados se quisemos matá-los, como assim o fizemos. ‘Exato.’” (Larry J. Walker, “Relativism”. In: Encyclopaedia Catholica. Vaticano: Editoriale Papale, 1987). Você já pensou nisso?

Terceira conclusão: se nossa sociedade baseasse sua moralidade na teoria da verdade relativa, cada um poderia exercer aquilo que acredita ser verdade, causando um verdadeiro caos moral.

Quarta evidência: as declarações religiosas também são propostas não-contraditórias. Muitos dizem que o problema da verdade relativa não está nas coisas corriqueiras do nosso dia a dia ou nos fatos que a ciência comprova e sim que o problema reside nas questões religiosas, como, por exemplo, a existência de Deus, a veracidade da Bíblia como Escritura Sagrada, e em citações de Jesus Cristo. A mentalidade pós-modernista, quando questionada a respeito da religião, clama em uníssono: “Não existe uma só verdade e não há um caminho verdadeiro. Todos os caminhos, todas as religiões e todos os livros sagrados nos levam a Deus (seja qual for) e a uma verdade.” Vamos analisar também essa afirmação.

Vimos anteriormente que toda declaração feita tem que ser verdadeira ou falsa; não há alternativa além dessas. Qualquer afirmação que faz uma reivindicação de ser verdade – seja ela expressa em uma frase, elocução ou uma crença – é chamada de proposta. Frases sobre fatos expressam propostas. Propostas são ou verdadeiras ou falsas porque elas fazem reivindicações da verdade, estipulam o “que é” e o que “não é”. Veja esta citação de Aristóteles: “Dizer que é o que não é, ou que não é o que é, é falso, enquanto dizer o que é que é, e o que não é que não é, é verdade; para que aquele que diz qualquer coisa que é, ou que não é, vai dizer aquilo que é verdade e não o que é falso.”

Essa citação de Aristóteles inspirou até mesmo um grupo musical dos anos 1980 a escrever a música “O Que”. Também nos inspira a entender que até mesmo propostas filosóficas e religiosas entram na categoria de ou serem verdadeiras ou falsas.

Quarta conclusão: a mesma regra da não contradição se aplica a declarações filosóficas e religiosas, pois elas se enquadram na definição de propostas.

A grande pergunta final

Ainda resta uma grande pergunta: Por que, de todas as declarações e propostas religiosas no mundo, devemos seguir o cristianismo? E mais: Por que seguir a Bíblia? Por que não os livros sagrados do Islamismo, Budismo ou Hari Krishna? Será que não existem verdades em todas as religiões? Por que só uma deve ser verdadeira e como podemos confiar naquilo que está escrito na Bíblia?

Pense em alguém se aproximando de você e declarando: “Estou com dor no joelho esquerdo.” Essa é uma declaração subjetiva, mas ainda é uma proposta. Pode ser verdadeira ou não. Como você sabe? Você consegue entrar na cabeça da pessoa e saber se ela está mentindo? Acredito que não. Então, a única forma de saber depende de quanta confiança você tem nessa pessoa. Ela já mentiu para você alguma vez? Ela frequentemente se contradiz em suas afirmações? Você já passou tempo com essa pessoa para saber se ela é confiável?

É isso que estudaremos nos próximos programas. Usando fatos e a lei da não contradição, vamos realmente analisar esse livro que se diz portador de tantas verdades absolutas. E vamos confirmar se podemos verdadeiramente confiar nele.

(Marina Garner Assis)