sábado, 12 de fevereiro de 2011

Político ANTES e DEPOIS da posse

Aproveitando a época da posse dos nossos excelentíssimos parlamentares, segue uma singela homenagem.

POLÍTICOS ANTES DA POSSE

Nosso partido cumpre o que promete.
Só os tolos podem crer que
não lutaremos contra a corrupção.
Porque, se há algo certo para nós, é que
a honestidade e a transparência são fundamentais.
para alcançar nossos ideais
Mostraremos que é grande estupidez crer que
as máfias continuarão no governo, como sempre.
Asseguramos sem dúvida que
a justiça social será o alvo de nossa ação.
Apesar disso, há idiotas que imaginam que
se possa governar com as manhas da velha política.
Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que
se termine com os marajás e as negociatas.
Não permitiremos de nenhum modo que
nossas crianças morram de fome.
Cumpriremos nossos propósitos mesmo que
os recursos econômicos do país se esgotem.
Exerceremos o poder até que
Compreendam que
Somos a nova política.

DEPOIS DA POSSE:

Basta ler o texto acima, DE BAIXO PARA CIMA

(Autor desconhecido)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

30 dicas para escrever bem




1. Deve evitar ao máx. a utiliz. de abrev., etc.
2. É desnecessário fazer-se empregar de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo narcisístico.
3. Anule aliterações altamente abusivas.
4. não esqueça as maiúsculas no inicio das frases.
5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz.
6. O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
8. Evite o emprego de gíria. Ninguém merece isso, mesmo que pareça maneiro, valeu?
9. Nunca use palavras de baixo calão, @!#$%! Elas podem transformar o seu texto numa merda.
10. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.
11. Evite repetir a mesma palavra pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.
12. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: “Quem cita os outros não tem idéias próprias”.
13. Frases incompletas podem causar
14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma idéia várias vezes.
15. Seja mais ou menos específico.
16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!
17. A voz passiva deve ser evitada.
18. Utilize a pontuação corretamente o ponto e a vírgula especialmente será que ninguém mais sabe utilizar o ponto de interrogação
19. Quem precisa de perguntas retóricas?
20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.
21. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.
22. Evite mesóclises. Repita comigo: “mesóclises: evitá-las-ei!”
23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
24. Não abuse das exclamações! Nunca! O seu texto fica horrível!
25. Evite frases exageradamente longas pois estas dificultam a compreensão da idéia nelas contida e, por conterem mais que uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam, desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.
26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língúa portuguêza.
27. Seja incisivo e coerente, ou não.
28. Não fique escrevendo no gerúndio. Você vai estar deixando seu texto pobre e estar causando ambigüidade - e esquisito, vai estar ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo.
29. Outra barbaridade que tu deves evitar é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras, bah!
30. Não permita que seu texto acabe por rimar, porque senão ninguém irá agüentar, já que é insuportável o mesmo final escutar o tempo todo sem parar.

Toda a verdade é relativa… menos esta!

Imagine a seguinte situação. Você é uma pessoa saudável, mas durante os últimos meses começa a sentir uma dor aguda no estômago. Vai ao médico, faz os exames necessários e uma semana depois retorna ao doutor para que ele examine os resultados dos exames. Ao puxar os papéis do envelope e ler o conteúdo, o médico muda de expressão. Você já não está tão calmo como estava antes e começa a imaginar as diferentes frases que podem sair da boca dele. Mas, em vez do tradicional “Você está com câncer e tem alguns meses de vida apenas”, o médico respira fundo e lhe diz:

“Olha, senhor, o laboratório diz aqui que você tem câncer no estômago, mas a realidade é que a verdade é o senhor que escolhe. Isso pode ser verdade para eles, porém, não precisa ser verdade para você! O senhor é quem escolhe o seu caminho.”

O que você acharia disso? Pode parecer uma história absurda, mas é mais ou menos isso o que acontece na área da religião e da filosofia. Você já ouviu a frase: “Isso pode ser verdade para você, mas não para mim”?

Primeiro, vamos às definições técnicas. A verdade, segundo alguns, pode ser relativa ou absoluta. A definição da verdade relativa é que a verdade é verdade uma única vez e em um único lugar. É verdade para algumas pessoas e não para outras. É verdade hoje, mas pode não ter sido verdade no passado e pode não ser novamente no futuro – sempre está sujeita a mudança. Ela também está sujeita à perspectiva das pessoas.

A definição de verdade absoluta é: tudo quanto é verdade uma vez e em um lugar é verdade todo o tempo e em todos os lugares. O que é verdade para uma pessoa é verdade para todas as pessoas. Verdade é verdade se nós acreditamos nela ou não. A verdade é descoberta ou revelada, não é inventada por uma cultura ou por homens religiosos.

O filósofo grego Protágoras disse que o “homem é a medida de todas as coisas”. Isso significa que cada pessoa pode decidir o próprio padrão para o certo e o errado. O que é moralmente certo para mim, pode estar errado para outro. Essa é a essência de relativismo.

O renomado biólogo Edward Wilson, em Consilience: the Unity of Knowledge, escreve: “Pensadores do iluminismo creem que podemos saber tudo, e pós-modernos radicais creem que não podemos saber nada.” O que ele quis dizer com isso? Tivemos dois extremos na história do saber. Um deles, como vimos no estudo anterior, afirma que por meio da ciência podemos saber todas as coisas. Esse pensamento pertence ao mundo do Iluminismo do século 18. Porém, a sabedoria com o passar dos anos se estendeu a outro extremo e o pós-modernismo em que vivemos hoje tenta nos convencer de que não existe uma verdade, mas várias.

Agora, o que nos interessa é saber como sabemos que a verdade é relativa ou absoluta. Como posso ter certeza de que minha vida, meus atos, minha crença devem ser ditados por uma única verdade que governa o mundo inteiro?

Vamos à primeira evidência: existem absolutos. Com certeza, você crê nisso. Quer provas? Você consegue acreditar que alguém pode andar e permanecer parado ao mesmo tempo? Ou que alguém está dormindo enquanto está acordado? É possível que um cavalo seja inteiramente branco enquanto inteiramente preto? Você consegue viver no passado e no futuro ao mesmo tempo? Você definitivamente não poderia dizer, diante de um acidente de automóveis, que talvez o acidente tenha acontecido e talvez não tenha acontecido; que depende do ponto de vista de quem viu acontecer.

A primeira conclusão, portanto, é de que, quando lidamos com a realidade, tem de existir uma verdade absoluta, senão não é realidade!

Segunda evidência: a lei da não contradição. O princípio da não contradição foi formulado por Aristóteles em seus estudos sobre a lógica, e diz que uma proposição verdadeira não pode ser falsa e uma proposição falsa não pode ser verdadeira. Nenhuma proposição, portanto, pode ser os dois ao mesmo tempo. Uma afirmação não pode ser contraditória para ser verdadeira. Por exemplo, você não pode dizer que um animal é um cachorro e dizer também que não é um cachorro.

Se analisarmos cuidadosamente, a própria afirmação do relativismo é contraditória. Veja só: “Toda a verdade é relativa.” Isso é como uma declaração do tipo: eu tenho absolutamente certeza de que tudo é relativo. Na própria declaração, o relativismo já se contradiz. Porém, se você analisar a afirmação da verdade absoluta, isso muda: toda verdade é absoluta. Essa afirmação também é absoluta, portanto, sem problemas!

Rafael Lanzetti, em seu artigo “Relativismo e Crítica Literária”, faz um comentário muito interessante a respeito de Protágoras, o filósofo que criou a teoria relativista: “Ora, Protágoras, ao criar tal teoria, criou juntamente com ela sua primeira contradição: se o trabalho de Protágoras enquanto filósofo sofista era o de ensinar aos outros como convencer os demais de que o que diziam era verdade, como poderia afirmar ele que tudo em que o homem acredita é verdade para este? Ao perceber sua contradição, Protágoras foi obrigado a adaptar sua teoria, qualificando sua doutrina: enquanto tudo em que alguém acredita é verdade, algumas coisas em que algumas pessoas acreditam são melhores que outras coisas em que outros acreditam.”

Platão disse, porém, que tal qualificação revela a inconsistência de toda a sua doutrina. Seu argumento básico se chama “A virada de mesas” (“Peritroph”): “Se à maneira como as coisas parecem para mim, assim elas existem para mim, e se à maneira como as coisas parecem para ti, assim elas existem para ti, então parece a mim que toda a tua doutrina é falsa. Uma vez que à maneira com que as coisas parecem para mim é verdade, então deve ser verdade que Protágoras estava errado.” Uma vez que Protágoras afirmou não existir falsidade, ele não pode dizer que o argumento de Platão seja falso, portanto a teoria de Protágoras é relativa.

Se até mesmo o inventor da teoria tão divulgada hoje teve problemas com ela, o que isso diz a respeito de sua confiabilidade?

Segunda conclusão: a teoria do relativismo não passa no teste da Lei da Não Contradição e seu próprio autor se contradisse.

Terceira evidência: a verdade relativa não é benéfica no sentido moral da sociedade. Se o ser humano é a medida de todas as coisas, ele também pode ser a medida do que dita a lei. Como defesa das verdades absolutas, o estudioso católico Leslie Walker debate o Relativismo usando seu próprio paradoxo: “Se dissemos que não existe no mundo certo ou errado, melhor ou pior, mas apenas formas de vida diversificadas, não podemos dizer que alguém está errado por seguir suas verdades particulares, certo?”, pergunta ele. “Certo”, ele mesmo responde. “Se isso é verdade, não podemos dizer que Hitler e Stalin estavam errados em matar milhões de pessoas e trazer sofrimento e dor, de uma forma ou de outra, a todo o mundo, certo? ‘Certo.’ Consequentemente, não podemos dizer que estávamos errados se quisemos matá-los, como assim o fizemos. ‘Exato.’” (Larry J. Walker, “Relativism”. In: Encyclopaedia Catholica. Vaticano: Editoriale Papale, 1987). Você já pensou nisso?

Terceira conclusão: se nossa sociedade baseasse sua moralidade na teoria da verdade relativa, cada um poderia exercer aquilo que acredita ser verdade, causando um verdadeiro caos moral.

Quarta evidência: as declarações religiosas também são propostas não-contraditórias. Muitos dizem que o problema da verdade relativa não está nas coisas corriqueiras do nosso dia a dia ou nos fatos que a ciência comprova e sim que o problema reside nas questões religiosas, como, por exemplo, a existência de Deus, a veracidade da Bíblia como Escritura Sagrada, e em citações de Jesus Cristo. A mentalidade pós-modernista, quando questionada a respeito da religião, clama em uníssono: “Não existe uma só verdade e não há um caminho verdadeiro. Todos os caminhos, todas as religiões e todos os livros sagrados nos levam a Deus (seja qual for) e a uma verdade.” Vamos analisar também essa afirmação.

Vimos anteriormente que toda declaração feita tem que ser verdadeira ou falsa; não há alternativa além dessas. Qualquer afirmação que faz uma reivindicação de ser verdade – seja ela expressa em uma frase, elocução ou uma crença – é chamada de proposta. Frases sobre fatos expressam propostas. Propostas são ou verdadeiras ou falsas porque elas fazem reivindicações da verdade, estipulam o “que é” e o que “não é”. Veja esta citação de Aristóteles: “Dizer que é o que não é, ou que não é o que é, é falso, enquanto dizer o que é que é, e o que não é que não é, é verdade; para que aquele que diz qualquer coisa que é, ou que não é, vai dizer aquilo que é verdade e não o que é falso.”

Essa citação de Aristóteles inspirou até mesmo um grupo musical dos anos 1980 a escrever a música “O Que”. Também nos inspira a entender que até mesmo propostas filosóficas e religiosas entram na categoria de ou serem verdadeiras ou falsas.

Quarta conclusão: a mesma regra da não contradição se aplica a declarações filosóficas e religiosas, pois elas se enquadram na definição de propostas.

A grande pergunta final

Ainda resta uma grande pergunta: Por que, de todas as declarações e propostas religiosas no mundo, devemos seguir o cristianismo? E mais: Por que seguir a Bíblia? Por que não os livros sagrados do Islamismo, Budismo ou Hari Krishna? Será que não existem verdades em todas as religiões? Por que só uma deve ser verdadeira e como podemos confiar naquilo que está escrito na Bíblia?

Pense em alguém se aproximando de você e declarando: “Estou com dor no joelho esquerdo.” Essa é uma declaração subjetiva, mas ainda é uma proposta. Pode ser verdadeira ou não. Como você sabe? Você consegue entrar na cabeça da pessoa e saber se ela está mentindo? Acredito que não. Então, a única forma de saber depende de quanta confiança você tem nessa pessoa. Ela já mentiu para você alguma vez? Ela frequentemente se contradiz em suas afirmações? Você já passou tempo com essa pessoa para saber se ela é confiável?

É isso que estudaremos nos próximos programas. Usando fatos e a lei da não contradição, vamos realmente analisar esse livro que se diz portador de tantas verdades absolutas. E vamos confirmar se podemos verdadeiramente confiar nele.

(Marina Garner Assis)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Quem comeu meu hamburguer? 99% não é 100%



Ontem, foi aniversário da prima de minha esposa, e fomos à casa dela para fazermos uma singela comemoração. Em determinada hora, deparei-me com uma pequena estante de livros no quarto do primo da minha esposa. Vários deles eu já conhecia por ter lido, ou por já ter folheado. Repentinamente, meu olhar parou sobre um deles, com o título "Quem comeu meu hamburguer? O poder do Seis Sigma", de Subir Chowdhury. Eu já tinha visto este título dentro de uma manual de catalogação bibliográfica, durante minhas tantas horas de estudo para os concursos, e tinha ficado muito curioso quanto ao conteúdo dele. Esse título era um dos muitos exemplos do manual. Quando percebi, já estava lendo os primeiros capítulos do livro, e gostando.
O estilo é o mesmo de "O mestre e o executivo", em que o autor procura explicar um conceito ou ensinamento por meio de uma narrativa, com personagens dialogando e vivendo situações extremas, que os levam a questionar uma situação ou um problema. No caso desse livro, o conceito a ser passado é o programa de qualidade total "Seis Sigma", que é na verdade uma escala de qualidade, que vai de um a seis, aliada a um programa que visa aumentar a qualidade de um produto, serviço ou processo, trazendo economia para a empresa e satisfazendo o cliente. Se uma empresa atingir os 100% de qualidade, chegará então ao Seis Sigma. Não se trata de um programa de qualidade qualquer. Ele foi adotado por exemplo por empresas importantes como a GE.
Terminei o livro em cerca de quatro horas. Podia tê-lo feito em menos tempo, se o ambiente fosse mais adequado à leitura, pois estava na sala diante da TV, com a Seleção Sub 20 jogando (nunca vi tanta bola na trave!), muita gente conversando e interrompendo a todo instante, e com direito a uma pausa para o almoço e outra para a sobremesa.
Embora não pudesse aplicar diretamente os conceitos do livro à minha vida, afinal não sou uma empresa nem possuo uma, ficou gravado em mim o conceito de qualidade total, e esse sim pode ser aplicado a tudo. Muita gente se contenta com 99% de eficiência. Então, pense acerca desse trecho do livro: "Acertar 99% das vezes é o melhor que todos podem fazer, certo? Uma taxa de 1% de defeitos equivale a: vinte mil remessas postais extraviadas por hora; cinco mil cirurgias malfeitas por semana; quatro ou mais acidentes por dia em grandes aeroportos; duzentos mil medicamentos tomados de forma errada por ano. Você ainda acha que 99% é bom o suficiente?... Os níveis de qualidade do Seis Sigma situam-se abaixo de 3,4 defeitos por milhão de oportunidades. Isso significa perfeição 99,9997%". Imagine-se sendo um paciente a ser operado. Você gostaria de estar dentro do 1% de cirurgias malsucedidas? Bem, eu não.
Claro que o livro é superficial; serve apenas para dar um vislumbre do que seja o programa "Seis Sigma", de modo a atrair o empresário ou executivo a conhecer mais do programa, e aplicá-lo. Mas, para mim, o livro me mostrou o quanto 99% está longe dos 100%. Fiquei meditando em quantas coisas a gente se contenta com um nível intermediário ou apenas alto de sucesso, sem nos dar conta do quão importante são também as taxas de insucesso ou fracasso. Fica aqui mais uma dica de leitura.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O uso de imagens na Bíblia



Muitos cristãos utilizam desenhos e pinturas de personagens bíblicos, inclusive de Jesus. Alguns têm chegado a fazer esculturas representando cenas bíblicas. Isso não é proibido pelo segundo mandamento?

No segundo mandamento da lei de Deus, lemos o seguinte: “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto” (Êx 20:4, 5). Um dos princípios mais importantes para entender a Bíblia é jamais ler apenas o trecho de uma frase, deixando de lado seu contexto. Somente quando lemos o texto completo, podemos entender seu sentido.

O segundo mandamento – Vejamos como esse princípio é importante. Se usarmos partes isoladas do segundo mandamento, poderemos chegar a conclusões absurdas. O texto diz, por exemplo: “Não farás para ti imagem de escultura.” Logo, se eu fizesse uma imagem ou desenho (para ser adorado ou não) e o desse para outra pessoa, não haveria pecado nenhum.

Além disso, o texto declara: “Nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.” Fora de contexto, isso significaria que não posso ter flores ou frutas artificiais ornamentando a casa, nem pinguim de geladeira, maquetes de construções, réplicas do corpo humano para estudantes de medicina. Eu também não poderia dar um boneco ou boneca a uma criança, nem dar-lhe papel e lápis para que ela faça um desenho. Ninguém defenderia tal extremo, mas é isso que a frase afirma, se a lermos de maneira isolada.

Como, então, entender o segundo mandamento? O objetivo de um texto geralmente fica mais claro no seu fim, na sua conclusão. Observe: “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto.” Em outras palavras: Não faça representações ou figuras de qualquer pessoa ou coisa com o objetivo de adorá-las. Esse é o sentido do segundo mandamento.

Como podemos ter certeza de que o segundo mandamento realmente tem esse significado, e que ele não proíbe qualquer tipo de arte visual? Tudo que precisamos fazer é ver o que outros textos bíblicos têm a dizer sobre o assunto.

Artes visuais na Bíblia – No Antigo Testamento, o uso da arte na religião não era proibido. A habilidade artística era considerada um dom de Deus (Êx 31:2-5). Alguns dos móveis do tabernáculo foram decorados com representações de flores e frutas (Êx 25:31-36; 1Rs 6:29), o véu que cobria o tabernáculo e o véu que havia dentro dele tinham figuras de querubins (Êx 26:1, 31) e havia dois querubins de ouro e cima da arca da aliança (Êx 25:17-20). Deus mandou construir uma serpente de escultura, para que fossem curadas todas as pessoas que olhassem para ela (Nm 21:8, 9).

No templo de Salomão, a arca foi colocada entre dois querubins de tamanho grande, confeccionados por ordem de Salomão (1Rs 6:23), a pia grande estava apoiada em 12 touros de metal (1Rs 7:25), e os móveis tinham figuras de leões, touros e querubins (v. 29). Objetos artísticos em forma de romãs e lírios foram usados para decorar o próprio edifício (v. 15-22). O trono real possuía arte decorativa em forma de leões (1Rs 10:19).

Mesmo no local de adoração a Deus havia “imagens de escultura” e representações visuais ou “semelhança” de coisas que “há em cima nos céus” e “na terra”. Além disso, no templo de Salomão e em seu palácio havia diversas imagens. Mas, claramente, nenhuma dessas representações artísticas tinha o objetivo de ser venerada ou adorada. Portanto, o problema não é o uso dessas artes visuais, mas o mau uso delas. Mesmo objetos confeccionados por ordem de Deus podem ser usados de maneira distorcida. Prova disso é que a serpente de bronze tornou-se, posteriormente, objeto de adoração e, por isso, foi destruída pelo rei Ezequias (2Rs 18:4).

Artes visuais no cristianismo – Imagens decorativas retratando temas religiosos (por exemplo, peixes, pombos, profetas, etc.) são encontradas no início do cristianismo, em catacumbas e locais de reunião. Mas essas imagens tinham o mesmo objetivo que aquelas mencionadas na Bíblia.

Apenas no século 7º, a veneração de imagens se tornou amplamente difundida entre os cristãos. Os católicos argumentam que não adoram as imagens religiosas, mas apenas as “veneram” e as usam para se aproximar dos santos por elas representados. Entretanto, não podemos concordar nem mesmo com esse uso, porque a Bíblia ensina que é apenas por meio de Cristo que nos aproximamos de Deus (Jo 14:6; Rm 8:34; 1Tm 2:5) e que os justos mortos estão inconscientes na sepultura até a ressurreição (Sl 115:17; Ec 9:5, 10; Mt 16:27; 1Co 15:51-55; 1Ts 4:13-18).

Aplicações atuais – A Bíblia, portanto, não condena o bom uso de figuras e imagens religiosas. Apesar disso, são necessários bom senso e precaução ao usar artes visuais na igreja. O uso exagerado desse recurso poderia dar a impressão de que o consideramos essencial na adoração a Deus. Alguns cristãos, que não estudaram o assunto mais profundamente, poderiam interpretar como idolatria o uso de determinados objetos na igreja.

Outro aspecto a ser considerado é a representação de Deus. Cremos que ilustrações de personagens bíblicos (incluindo Jesus e os seres angelicais), já contemplados por seres humanos, são aceitáveis quando não destinadas à veneração e quando não desvirtuam o caráter do respectivo personagem. Mas Deus, o Pai, “que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver” (1Tm 6:16), jamais deveria ser reproduzido pela imaginação humana. Mesmo cenas bíblicas deveriam ser representadas de maneira respeitosa e fiel à descrição bíblica.

Com base no ensino bíblico sobre imagens, que consideramos acima, a escritora cristã Ellen G. White faz aplicações corretas à nossa época: “Alguns condenam figuras, alegando que são proibidas pelo segundo mandamento, e que todas as coisas desse gênero deveriam ser destruídas. [...] O segundo mandamento proíbe o culto das imagens. Deus mesmo, porém, utilizou figuras e símbolos para apresentar a Seus profetas as lições que deveriam ser dadas ao povo, para que, dessa forma, pudessem se entendidas melhor que de qualquer outra maneira. Isso apela para nossa compreensão, por meio do sentido visual” (Historical Sketches of the Foreign Missions of the Seventh-day Adventists, p. 212).

(Matheus Cardoso é editor associado da revista Conexão JA e editor assistente de livros na Casa Publicadora Brasileira; colabora na seção “Perguntas” do blog www.criacionismo.com.br)

Fontes:

Alberto R. Timm, “Idolatria”; Ángel Manuel Rodríguez, “Art or Idol?”; George W. Reid, “Statuary and the Second Commandment”; Gleason Archer, Enciclopédia de Temas Bíblicos: Respostas às principais dúvidas, dificuldades e “contradições” da Bíblia (São Paulo: Vida, 2001), p. 103.

Futuro Interrompido



FUTURO INTERROMPIDO

CRISTOVAM BUARQUE

Não deveria haver surpresa no fato de o debate eleitoral estar sendo pautado pelo tema do aborto, da sexualidade e da crença no cristianismo.

Dois fatos levam a população a se preocupar com isso: de um lado, décadas de queda nos valores morais da sociedade — resultando em corrupção, desarticulação da família, generalização da droga, gravidez precoce, abandono de mulheres pelos maridos, prevalência da riqueza como objetivo central e valorização absoluta do consumo — fizeram com que ela, desarvorada pela falta de valores, buscasse abrigo na religiosidade.

De outro lado, nos últimos oito anos a apatia ideológica fez com que os partidos ficassem parecidos, o debate sem ideias novas e os candidatos pouco diferentes entre si.

Debatem-se velhos temas: como crescer, e não qual crescimento; privatizar ou estatizar, e não dar caráter de interesse público a toda atividade econômica, estatal ou privada; como construir mais escolas técnicas, e não como fazer uma revolução na Educação; quem vai distribuir mais Bolsa Família, e não quem a tornará desnecessária.

Nesta crise de valores e neste vazio de ideias, o aborto se torna tema central, embora nada tenha a ver com o cargo de presidente da República. Além disso, este tema fica limitado à defesa da vida do indefeso embrião, sem tocar no assunto do direito à vida daqueles que já nasceram, mas que são abandonados pela sociedade e pelos governos que ela elege.

Para serem levados a sério, os que defendem o direito à vida do embrião deveriam defender também o direito à vida daquele abortado logo depois do nascimento, por falta de uma incubadora que sirva de ponte entre a barriga da mãe e o mundo real onde vai respirar. Mas o Brasil abandona muitos de seus recém-nascidos em hospitais sem UTI infantil, forçando o médico a escolher quais terão a chance da vida e quais serão abandonados à morte, provocando um aborto pós-parto. Um recém-nascido é ainda mais indefeso do que um embrião na barriga da mãe, mas não vemos os que se opõem à descriminalização do aborto criminalizando também os responsáveis pelo aborto decorrente do abandono nas maternidades públicas.

O debate eleitoral mostrou forte movimento contra o aborto provocado por mães antes do parto, mas não há movimento contra os responsáveis pelo fato de que todos os dias mães amorosas perdem seus filhos por falta de atendimento médico no pós-parto.

Também ocorre um aborto quando uma criança morre por desnutrição ou falta de remédios. Vinte e cinco anos depois da restauração da democracia, depois da retomada do crescimento econômico, da estabilidade monetária e da afirmação do Brasil no cenário mundial, depois de 16 anos de governos social-democratas, milhares de crianças morrem no Brasil por falta de comida e de remédios, com suas vidas interrompidas, abortadas.

Seus aborteiros não são mães, nem médicos, são os governos e todos nós, seus eleitores e contempladores passivos, que nos omitimos diante do direito à vida, enquanto comemoramos PIB, Copa do Mundo, Olimpíadas, trem-bala, pontes, estradas, hidrelétricas...

É também um aborto não oferecer escola de qualidade para toda criança.

Bicho só precisa de comida e ar, nasce uma só vez, quando sai da barriga da mãe ou do ovo onde é gestado.

Gente nasce duas vezes: quando sai da barriga e quando entra na escola.

Não entrar na escola é ter o futuro interrompido, abortado. No Brasil, crianças são abortadas a cada minuto, ao abandonarem a escola antes do tempo, como se estivessem sendo expulsas do útero materno antes dos nove meses de gravidez. Mas não há movimento contra esse aborto.

O Brasil é um país que debate as posições dos candidatos sobre o aborto pré-parto, que nem depende do presidente, e se esquece de debater o cuidado das crianças no pósparto, abortando-as por falta de cuidados, remédios, comida, escola. E abortando tantas crianças, diante do silêncio de todos, inclusive de líderes laicos e religiosos, vamos interrompendo o futuro do Brasil.


CRISTOVAM BUARQUE é professor da UnB e senador (PDT-DF).

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Dicas para gerenciar o tempo



Na internet há tantas dicas de especialistas sobre como administrar o tempo que se você fosse ler todas elas provavelmente ficaria sem tempo para fazer mais nada. Há sugestões para todos os perfis. Algumas dão a impressão de que a pessoa vai precisar de mais tempo para organizar o tempo do que para fazer as coisas realmente importantes. Para facilitar a vida — e economizar tempo — fizemos uma seleção de alguns tópicos que são comuns a muitas dicas de como administrar o tempo.

Planeje - este é um ponto essencial. Afinal quem não está disposto a planejar, não deve estar também muito interessado em administrar o tempo. Só quando se analisa tudo o que deve ser feito e quanto tempo cada tarefa deve levar é que se pode, efetivamente, gerenciar o tempo. Aqui é importante listar atividades pessoais e profissionais e definir quanto tempo por dia se tem para o trabalho e para a vida pessoal.

Priorize – Você pode ter uma lista enorme de tarefas e pode saber que levará dias, semanas ou mesmo meses para fazer tudo. Mas se você não colocar prioridade para cada uma, a sensação de que as coisas não estão andando vai continuar a ser um tormento.

Use uma agenda – pode ser em papel, no computador, ou até no celular. O importante é mantê-la atualizada. Liste todas as tarefas, escreva seu planejamento e tente segui-lo. À medida que você concluir cada atividade risque aquele item. Este é o momento para você apreciar o avanço obtido e para avaliar se o seu planejamento foi bem feito (e adequá-lo, quando for o caso).

Saiba dizer não – vivemos em uma época em que tudo parece ser urgente. Antes de aceitar um novo compromisso, consulte sua agenda e veja o quão importante ele é diante das demais coisas que você precisa fazer. Caso não seja possível alocá-lo dentro da sua programação, diga que não pode fazer aquilo até quando tiver tempo na agenda. A regra de ouro aqui é evitar espremer todas as demais coisas para incluir uma nova. Esta é a receita certa para você perder o controle do seu dia a dia.

Lembre-se do tempo de deslocamento (e seja realista) – se suas atividades incluem muitos deslocamentos pela cidade é fundamental alocar um tempo para o próprio deslocamento. Em grandes cidades isso é ainda mais crítico.

Comece pelo mais importante – a cada dia, comece as tarefas pelo que for mais importante. Mesmo que surjam imprevistos e você só consiga fazer aquilo, você terá a sensação de que o dia avançou.

Seja objetivo – se começou uma atividade, termine. Se a atividade demora muito tempo, procure planejá-la em mais de um dia, é mais produtivo porque evita a monotonomia de uma longa tarefa e permite realizar outras atividades menores.

Comunique-se – o sucesso da administração do tempo depende também de como você se comunica com as pessoas com as quais tem que se relacionar para concluir cada atividade. Pode ser o chefe, o subordinado, o colega ou um familiar. Se todos estiverem cientes das suas disponibilidades de tempo serão mais compreensivos e a colaboração tende a funcionar melhor. Importante lembrar que este tipo de colaboração deve ser mútua. Ou seja, procure saber quais são as disponibilidades das outras pessoas também.

A imagem deste post é do Wikimedia Commons, por Anomie.